BLOG DE DJAHY FERREIRA LIMA

HISTÓRIA, GEOGRAFIA, CAUSOS, LITERATURA, ARTE, CULTURA E ECONOMIA.

10/10/09

SEGREDO

José Letácio Pereira(*)

Tenho no peito meu bom segredo

Que ficou em minha alma sozinho

Para contá-lo eu tenho muito medo

Irei pensativo neste meu caminho

Todo ele tem um grandioso enredo

E para curar na vida este espinho

É preciso cuidá-lo muito e cedo

Procurar noutro lábio outro vinho

Oh! poeta quanto tu sofres nessa vida

Por causa de um lábio, uma querida

Que nos versos quisestes narrar

Não tentes mais poeta outra vez

Que vais sofrer dia a dia e mês

Porque procurastes um dia amar

(*) JOSÉ LETÁCIO PEREIRA – Nasceu em Santa Cruz (RN) na rua Dr. Pedro Medeiros, em 25/12/1935. Teve como primeiros educadores: Dona Santinha Marques, Dona Elisete Pessoa, Neném Galdino e Terezinha Cury. Ingressou no curso de admissão do grupo escolar Quintino Bocaiúva, em 1945; Concluiu o curso ginasial no Ginásio Comercial de Santa Cruz, indo em seguida trabalhar com o seu pai, o então tabelião João Ataíde Pereira, vindo a aposentar-se neste ofício na década de 80. Fez parte de todas as antologias publicadas pela ASPE.

Obs.: Esta poesia faz parte da quarta antologia da ASPE, Antologia Cantos & Contos do Trairi, 2008.

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30/9/09

TRISTEZA

J. Matias C. Filho

Nada acontece. Só monotonia…

Amanhecer. Sol. Tarde. Noite. Lua…

E minh’alma de alacridade nua

Se perde na imensa melancolia.

Vagueia nos ares na noite fria.

Esvoaça no infinito. Vã flutua

Em lágrimas minh’alma tão nua

De paz, felicidade e de alegria.

Nada acontece. Tarde… Sol poente…

Crepúsculo… Profunda escuridão…

Em minha vida, em minh’alma dolente,

Em meu cansado e arfante coração.

Ó, necrópole santa, eternamente

Livrai-me dessa imane solidão!

JOSÉ MATIAS DA COSTA FILHO (Matias Filho) nasceu em Santa Cruz (RN) em 07/05/1956. Cursou o primário no Grupo Escolar Quintino Bocaiúva e depois ingressou no Ginásio Comercial. Mudou-se para Natal, onde estudou no Instituto Sagrada Família. Depois regressa para sua cidade onde conclui o segundo grau na Escola Cenecista Gentil Ferreira de Souza. Autodidata, voraz devorador de livros e insaciável estudioso, tem escrito desde os quatorze anos. Autor da obra “Poemas que a vida me inspirou”, na qual selecionamos este poema que muito diz do dia a dia do poeta. Participou de vários concursos literários e está presente nas antologias poéticas: “Templos Tempos Diversos” (1995); “Trairi em Versos” (1997); e Ribeiro, um professor (Verso e Prosa – 1999).

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2/8/09

UM SISTEMA EFICIENTE DE COBRANÇA

O cartório de protesto de títulos mantinha – não sei se ainda hoje mantém - uma coluna diária nos principais jornais do Estado do Rio Grande do Norte. Essa coluna era consultada por toda a sociedade, principalmente pelos profissionais das instituições de crédito encarregados dos Setores de Investigação de Cadastro. O objetivo desses profissionais era identificar clientes que fossem cadastrados em suas instituições e efetivar, nas respectivas fichas, as devidas anotações restritivas. Quem tinha o nome divulgado na coluna do Cartório de Protestos de Jairo Procópio, caía na boca do povo.

A comunidade comercial costuma se utilizar de vários sistemas de negativação com a finalidade de garantir o crédito, tais como: SPC, SISBACEN, SERASA etc. No entanto, ainda está para existir um sistema mais eficiente que o utilizado por Antonio Retratista, em Santa Cruz (RN).

Sucessor de Manoel da Viúva, Antonio Retratista era o fotógrafo-mor da cidade. Foi ele quem perpetuou os momentos mais marcantes da sociedade santacruzense, principalmente dos eventos sociais, mais precisamente, os bailes, ou como se dizia à época, as festas que se realizavam no Trairi Club.

Estamos nos anos 60. Os jovens santacruzenses, embalados na onda do iê-iê-iê nacional ou nos embalos dos Beatles e Rolling Stones, e embriagados por inspiração de “Dionísio ou Baco”, dávamos a Antonio Retratista o sinal que representava o comando para o click fotográfico. E haja flash a iluminar o escurinho do salão trairiense.

Alguns dias depois, o retrato estava devidamente revelado e, em exposição, à espera dos retratados. No entanto, nem todos estavam em condições financeiras de resgatar a memória impressa daqueles momentos felizes ao lado da mulher amada. Antonio retratista, acostumado com as limitações do poder aquisitivo citadino, tinha muita paciência, mas paciência tem limites, já diz o ditado popular.

Na sede do seu laboratório, Antonio Retratista costumava expor aos transeuntes, em uma destacada vitrine, o fruto da sua arte, da sua técnica: fotografias de eventos diversos, tais como, casamentos, batizados, bailes, aniversários, desfiles cívicos, solenidades etc. Lá ficavam no aguardo, no aguardo dos retratados.

Finalmente, decorrido um prazo que fosse longevo o suficiente para tirar a sua paciência, Antonio Retratista, colocava as fotos dos inadimplentes de cabeça para baixo. Era a sua coluna de protesto que confirmava aquela máxima: uma imagem vale mais que mil palavras. Era o protesto à sua própria maneira. No entanto, esta atitude bizarra funcionava. E como funcionava.

Incontinente, a notícia corria meio mundo. E, logo, a foto estava sendo retirada, logicamente, mediante pagamento em dinheiro.

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26/7/09

O PRINCIPAL E O ACESSÓRIO

Nos imemoráveis tempos de inflação alta, o ministro da Fazenda Antonio Delfim Neto adotava como política para reduzir a inflação, uma severa restrição ao crédito. Os bancos não emprestavam e os limites dos cheques especiais permaneceram estacionados, ampliando a assimetria ao se desvalorizar com o tempo.

Exercia a gerência do Banco do Nordeste do Brasil em Santa Cruz (RN), o Dr. Ivo Trindade, um verdadeiro “gentleman”. Era tão gentil e dotado de afinada urbanidade que destoava dos padrões vigentes naquela pequena cidade do interior do Rio Grande do Norte.

Num certo dia, um comerciante da cidade, Sr. Afonso Costa Soares, mais conhecido como Afonso Boca Rica (certamente por ter abrigado em sua boca, um ou mais dentes de ouro) procura o gerente do banco do Nordeste. Era um acontecimento natural, afinal homens de negócio procuram agências bancárias para tomar dinheiro em empréstimo.

O Dr. Ivo Trindade atendeu ao cliente Afonso Boca Rica com a reverência devida, pois afinal de contas, tratava-se de cliente conceituado e tradicional da comunidade santacruzense. Esmerou-se no tratamento; ofereceu água fresca e cafezinho, ao tempo em que explicava das limitações que a política monetária do Delfim Neto impunha às instituições financeiras, chegando até a mostrar os documentos internos que comprovavam a ausência de dotação orçamentária que pudesse contemplar o seu pleito.

Diante da denegatória, Afonso Boca Rica apelou:

- “Dr. Ivo, o senhor pode me tratar mal; retirar a água gelada e o cafezinho; deixar-me de boca seca e até me destratar, mas – por favor – empreste o dinheiro que eu estou pedindo. Eu estou precisando mesmo é de dinheiro”.

E, como era de se esperar, Afonso Boca Rica saiu com a boca rica, porém de mãos vazias.

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19/7/09

SOU POETA MATUTO E VIOLEIRO E AS HISTÓRIAS QUE CONTO É DO SERTÃO

Hélio Crisanto

Eu só sei cortar mato de enxada

Amansar burro brabo e fazer broca

Dar solfejos com flauta de taboca

Tirar leite rompendo a madrugada

Meu cardápio é queijo com coalhada,

Rapadura batida com feijão

Já botei muita água de galão

Enchi pote com água de barreiro

Sou poeta, matuto e violeiro

E as histórias que conto é do sertão

HÉLIO GOMES CRISANTO – Nascido em São José de Campestre (RN), em 01.11.1967. Reside em Santa Cruz (RN) desde 1975. Filho de Celso Gomes Crisanto e Neusa Anselmo Crisanto, quarto filho de uma prole de cinco. Funcionário público, casado, pai de Heloísa, cursa Geografia na Universidade Vale do Acaraú. O Poeta participou das diversas antologias publicadas pela ASPE – Associação Santacruzense de Poetas e Escritores, da qual é o atual presidente. Compositor e intérprete, ou cantador como costuma falar, participou de vários festivais com músicas de sua autoria, chegando a ser finalista, por duas vezes, no festival “FORRAÇO”, o maior festival de música regional do Estado do RN. Hélio Crisanto é um arauto da causa nordestina e amante declarado da cultura popular.

Vale, aqui, destacar fragmento da apresentação do seu livro “Retrato Sertanejo”, da lavra de José da Luz Costa: “Confesso que, a princípio, fui motivado pela amizade. Somente após a leitura de textos poéticos – de temáticas vivas e variadas – deixei-me seduzir pela magia ora lírica ora satírica da arte poética de Hélio Crisanto. É sabido de todos que convivem com Hélio, que se trata de jovem com índole amistosa e pacífica. Tem um caráter transparente e reflexivo. Sua amizade se fundamenta na simplicidade dos gestos e na verdade das palavras. Assim conheço Hélio há quase três décadas. Sei de sua refinada sensibilidade musical. Sei de seu talento como compositor. Sei de sua performance como cantor. Mas, na verdade, não conhecia a estatura do poeta que se escondia por trás da silhueta do músico. Que surpresa agradável!”

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29/6/09

UM CAUSO DO MAJOR TEODORICO

              Monte Carmelo

O Major Teodorico Bezerra não poupava esforços para levar benefícios para Santa Cruz do Inharé, um dos municípios de sua base eleitoral.

Ao tomar conhecimento que Nova Cruz ganharia uma agência da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), foi à editora do Diário Oficial e mandou alterar a ordem de serviço:

- Troque Nova por Santa.

Santa Cruz ficou com o posto dos Correios.

Anos mais tarde, ao ser questionado por um adversário sobre esse episódio, Teodorico desconversou:

- Sou um homem de 75 anos, de modo que só lembro as coisas que aconteceram das seis horas da manhã para cá.

 

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21/5/09

BIBLIOTECA REGIONAL - I I I

 

51. VAQUEIROS E CANTADORES

Luís da Câmara Cascudo, 1984.

 

52. MEMÓRIA VIVA DE ONFRE LOPES

TV UNIVERSITÁRIA, 2007.

 

53. ACONTECEU NA CAPITANIA DO RIO GRANDE

Olavo de Medeiros Filho, 1997.

 

54. MEMÓRIAS DE UM PIRATA

Aluísio Azevedo, 2005.

 

55. O MUNICÍPIO DE ASSU

Dr. Pedro Amorim, 2008.

 

56. MEMÓRIA VIVA DE LAURO PINTO

TV Universitária - Carlos Lyra, 2003.

 

57. 2ª. GUERRA MUNDIAL – O Torpedeamento do Cruzador Bahia pelos Nazistas e a História de um Herói Potiguar

André Valério Sales, 2009.

 

58. 400 NOMES DE NATAL

Pesquisa e Redação: Deífilo Gurgel, Jardelino Lucena, Manoel Onofre Júnior, Nelson Patriota. Coordenação: Rejane Cardoso, 2000.

 

59. INTRODUÇÃO À CULTURA DO RIO GRANDE DO NORTE – LITERATURA – ARTES PLÁSTICAS E FOLCLORE.

Tarcísio Gurgel, Vicente Vitoriano, Deífilo Gurgel, 2003.

 

60. NOVA HISTÓRIA DE NATAL

Itamar de Souza, 2008.

 

61. MATRIX E A ADMINISTRAÇÃO TRANSPESSOAL

Jílio F.D. Rezende, 2007.

 

62. CENTENÁRIO DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO RIO GRANDE DO NORTE (1892 – 1992) – MEMÓRIA HISTÓRICA.

Veríssimo de Melo, 1992.

 

63. MEMÓRIAS PROVINCIANAS – CAUSOS

Valério Mesquita, 2004.

 

64. A CIDADE E O TRAMPOLIM

João Wilson Mendes Melo, 2003.

 

65. PEQUENA ANTOLOGIA DO HUMOR NATALENSE

Veríssimo de Melo, 2003.

 

66. COSTUMES LOCAIS

Eloy de Souza, 1999.

 

67. EVOLUÇÃO ECONÔMICA DO RIO GRANDE DO NORTE – SEC. XVI AO XXI.

Paulo Ferreira dos Santos, 2002.

 

68. HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO NORTE – EM 14 FASCÍCULOS.

Tribuna do Norte e Fundação José Augusto,

 

69. HISTÓRIA DA MINHA VIDA

Júlio Cesar de Andrade, 1987.

 

70. SOCIEDADE POTIGUAR

Paulo Macedo, 2000.

 

71. HOMENS DE OUTRORA

Manoel Dantas, 1941

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11/4/09

A MAIOR ESTÁTUA DA AMÉRICA LATINA

Chagas Lourenço

Em maio, a cidade de Santa Cruz celebra sua padroeira, Santa Rita de Cássia. Este ano, os fiéis e os devotos da santa tiveram um motivo a mais para festejar. No alto do Monte Carmelo, conhecido como Monte do Cruzeiro, está sendo construída uma estátua da santa padroeira, com a pretensão de se tornar a maior estátua religiosa da América Latina.

A idéia surgiu há dois anos durante uma conversa entre o padre Aerton Sales e o prefeito Tomba. De acordo com o padre, o lugar já é devocional, pois no topo do Monte Carmelo existe um cruzeiro e, no caminho, há uma estrutura de via-sacra. “Já era desejo do poder público construir algo no monte, que embelezasse a cidade. Tendo em vista, a forte de devoção do povo à Santa Rita, resolvemos construir essa imagem”, explica o pároco.

No momento, a estátua está sendo construída dentro de um imenso galpão, no bairro Paraíso, em Santa Cruz, sob a coordenação do arquiteto, escultor e professor da Universidade Federal da Paraíba, Alexandre Azedo. Foi ele quem projetou a imagem do Frei Damião, em Guarabira (PB), com 22 metros. O pai dele, Armando Lacerda, foi o escultor da imagem do Padre Cícero, em Juazeiro (CE), que mede 27 metros de altura, inaugurada em 1969.

Quando pronta, a imagem de Santa Rita terá 42 metros de altura, acrescidos 3 metros do pedestal e 8 metros do resplendor, somando 53 metros, o que equivale a um edifício de 19 andares. Será, portanto, a maior estátua da América Latina. A do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, mede 38 metros de altura.

Em Santa Cruz, a edificação da estátua fará parte do “Complexo Turístico-religioso Alto de Santa Rita”. Além da imagem, farão parte do Complexo uma praça, estacionamento, restaurante, mirante, banheiros, duas capelas, um espaço para guardar ex-votos, uma sala onde ficará o memorial sobre a vida da santa e da própria construção do Complexo.

Conforme o padre, no caminho de acesso ao Alto de Santa Rita também serão colocadas as estações da Via-sacra. A construção do Complexo custará mais de quatro milhões de reais. Enquanto não fica pronta a imagem, uma maquete do Complexo está sendo exposta, na Igreja Matriz, para visitação dos fiéis e curiosos.

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8/4/09

BIBLIOTECA REGIONAL - I I

 

26. FUTEBOL: DOCUMENTO DE UMA PAIXÃO

Nailson Costa, 1996.

 

27. CANASTRA VEIA – VERSOS

Jeca Tabua  (Cosme Ferreira Marques), 1946.

 

28. COZINHAR COM PRAZER

DM Terezinha (Lions Club), 1995/1996.

 

29. SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DA HISTÓRIA  DO RIO GRANDE DO NORTE

Sergio Luiz Bezerra Trindade e Geraldo José de Albuquerque, 2004.

 

30. MONSENHOR RAIMUNDO, PRESENTE DE DEUS – ANTOLOGIA

Aldenôra Dias Ribeiro, Compiladora, 2000.

 

31. FAMÍLIAS AZEVEDO, DANTAS, MEDEIROS E ROCHA NO RIO GRANDE DO NORTE

Aluízio Azvedo, 2002.

 

32. (DES)ALINHO – ENSAIOS DE HISTÓRIA CULTURAL E SOCIAL

Diversos Autores, 2004.

 

33. GIZINHA

Polycarpo Feitosa, 2003.

 

34. DICIONÁRIO POLÍTICO DO RN – CONTEMPORÂNEO

François Sisvestre, 1999.

 

35. HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO NORTE

Luiz Eduardo Brandão Suassuna  Marlene da Silva Mariz, 2005.

 

36. SONETOS E POEMAS DIVERSOS

Antonio de Pádua Borges, 2001.

 

37. PERSONALIDADES HISTÓRICAS DO RIO GRANDE DO NORTE – SÉCULO XVI A XIX

Fundação José Augusto – Organização, 1999.

 

38. A BOTIJA

Clotilde Tavares, 2003.

 

39. NATAL QUE EU VI

Lauro Pinto, 1971.

 

40. COISAS TANGENCIAIS – POESIA

Ubiratan Queiroz de Oliveira, 2000.

 

41. O LIVRO DAS VELHAS FIGURAS – VOLUME VII

Luís da Câmara Cascudo, 2002.

 

42. POEMAS QUE A VIDA INSPIROU

J. Matias C. Filho, 2000.

 

43. INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO NORTE

Denise Mattos Monteiro, 2002.

 

44. CANTO DA QUASE AURORA

Maia Pinto, 1998.

 

45. SALVADOS – LIVROS E AUTORES NORTE-RIO-GRANDENSES

Manoel Onofre Jr., 2000.

 

46. PARLAMENTARES DO RIO GRANDE DO NORTE – SENADORES (IMPÉRIO E REPÚBLICA) – V.I

Agaciel da Silva Maia, 2003.

 

47. PARLAMENTARES DO RIO GRANDE DO NORTE – DEPUTADOS (IMPÉRIO E REPÚBLICA) V.II

Agaciel da Silva Maia, 2003.

 

48. RETALHOS D’ALMA

Aldenôra Dias Ribeiro, 1998.

 

49. OS CHATOS DE ALVASDUNAS – CONTOS

Ubiratan Queiroz de Oliveira, 2006.

 

50. INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO NORTE

Sérgio Luiz Bezerra Trindade, 2007.

 

 

 

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7/4/09

O ESTOURO DA BARRAGEM E A FÉ NA CRUZ SANTA DO INHARÉ

Chagas Lourenço

 

Uma das principais cidades da Região do Trairi, Santa Cruz do Inharé, é um município próspero, onde abriga 30 mil habitantes na zona rural e urbana. Aos sábados, a feira-livre, a maior da região, atrai milhares de pessoas das cidades circunvizinhas, transformando a livre negociação das mercadorias no ponto forte do comércio local.

Cortada pela BR 226, a cidade de Santa Cruz está localizada a 120 km de Natal, contando com um clima semi-árido durante a maior parte do ano. Porém, no mês de junho, as festas juninas esquentam o frio aconchegante que é soprado da Serra do Doutor, obrigando as pessoas a usarem casacos durante a noite.

Sob as bênçãos de Santa Rita de Cássia, o povo pacato santa-cruzense conta sua história através de acontecimentos marcantes. As cenas da tragédia do dia 1º de abril de 1981, que desabrigou cinco mil pessoas e deixou o Estado do RN sem luz e água por cinco dias, ainda permanece na memória dos moradores do município.

 

Foram momentos de agonia que marcou as vidas dos cidadãos e fez heroína uma telefonista: Maria de Fátima da Silva, que fez contatos com o prefeito da época, Hildebrando Teixeira, para esvaziar a cidade antes do rompimento da barragem de Campo Redondo, distante 25 km de Santa Cruz, salvando milhares de pessoas.

 

Apesar de ser o dia 1º de abril, conhecido como o dia nacional da mentira, o alerta da telefonista deu resultado e carros de som anunciaram a ameaça da enchente. Os moradores deixaram para trás suas casas e foram abrigados em prédios públicos ou regiões altas da cidade. Dentro de três horas a enxurrada das águas devastaria a cidade.

 

Conhecida como a maior tragédia natural do Estado, a enxurrada de Santa Cruz contabilizou seis mortes e 1.044 casas destruídas. A correnteza das águas percorreu ainda cerca de 80 km (equivalente a distância entre Natal e Tangará) e atingiu outros quatro municípios.

Com 14 torres da rede de energia da Chesf derrubadas, o Rio Grande do Norte permaneceu uma semana às escuras. Em Natal, o único hospital com gerador na época era o Walfredo Gurgel. Supermercados fechavam mais cedo com medo de assaltos. Sem energia, o bombeamento para abastecimento de água também foi comprometido.

O então governador Lavoisier Maia decretou estado de calamidade pública em toda a região do Trairi e levou fotos da tragédia ao presidente da República, João Figueiredo. O ministro do Interior na época, Mário Andreazza confidenciou ao prefeito de Santa Cruz só ter visto cena igual em guerra.

Com a solidariedade de todos e as bênçãos de Santa Rita de Cássia, um grande mutirão envolveu as instituições públicas e privadas, ONGs, voluntários, igreja e as próprias vítimas. As três esferas do poder executivo esqueceram diferenças partidárias e também se uniram para reconstruir a cidade. As doações chegavam de todas as regiões do Brasil.

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